Alguns revolucionários não atuam diretamente, se dedicam ao campo da teoria, outros, ao campo da prática. Alguns, são mais diplomáticos, outros, mais incisivos. Alguns nacionalistas e outros internacionalistas. Mas só um deles corresponde a todas alternativas: James Connolly.

 James Connolly (nascido Séamas Ó Conghaile) foi um líder nacionalista irlandês e revolucionário socialista. Nasceu na Escócia, filho de pais irlandeses. Não concluiu a escola e aos 11 anos foi trabalhar na Irlanda.

A Irlanda, talvez seja o país da Europa mais boicotado pelo imperialismo. Na época, diversos guerreiros lutavam pela independencia da Irlanda, que pertencia ao Reino Unido e com isso um conflito armado e violento se iniciou e perdura até os dias de hoje. Isso se dá também no campo da religião, A Irlanda do Norte, protestante e a Irlanda, Católica. Com isso, grupos de resistencia nacionalistas e católicos eram e são bem frequentes na Irlanda e então, Connolly começou na política, ainda sem contato com o Socialismo. Seu primeiro contato foi quando ingressou o Partido Republicano Socialista, que possuia quadros mais nacionalistas e outros mais socialistas, a partir daí Connolly começou a enxergar que todo bom nacionalista deve ser, obrigatóriamente socialista, e que todo socialista, obrigatóriamente nacionalista.

Se hoje podemos ser socialistas e nos declararmos nacionalistas, James Connolly é essencial nessa construção e faz uma síntese do que na época parecia inconsciliavel. Inclusive, Connolly foi o primeiro responsável por liderar grupos armados de libertação nacional, o que influenciaria futuramente diversos movimentos socialistas. Em 1913, promoveu com James Larkin a criação do Exército Civil Irlandês, em resposta a um lockout, chegando a ser comandante do exercito. Este era um grupo armado de uns 250 operários (estivadores, do transporte, da construção, impressores, etc.) treinados para lutarem por defender os seus interesses, tendo como objectivo último o estabelecimento de uma Irlanda independente e socialista. No futuro, o Exército dos Cidadãos Irlandeses seria uma das bases na formação do Exército Repúblicano Irlandês (IRA).

Julgando a linha dos Voluntários Irlandeses, principal frente armada da ´rpoca como burguesa e pouco preocupada com a necessária independência económica da Irlanda, acreditou na necessidade de uma acção contundente e decisiva contra as forças de ocupação britânicas, uma verdadeira insurreição. Assim, em 1915, reuniu-se com Tom Clarke e Padraic Pearse, dirigentes da Irmandade Republicana Irlandesa, organização infiltrada na dos Voluntários, para tentar um acordo estratégico.

Connolly também sempre foi um político muito respeitado pela Igreja Católica, e chegou a ter divergencias com De Leon sobre o tema, apesar de ambos católicos. É autor de obras como “Socialismo e religião” e “Socialismo, Nacionalidade e Religião”, que abordam temas mais complexos como a proibição do socialismo pelo Vaticano.

Connolly foi incisivo em suas posições de defesa ao nacionalismo defensivo, especialmente nas criticas a primeira guerra mundial:

Connolly escreve no jornal A República Operária: "Se estes homens têm de morrer, não era melhor eles morrerem no próprio país, a lutarem pela liberdade da sua classe e pela abolição da guerra, do que irem a países estrangeiros e morrerem assassinando e assassinados pelos seus irmãos, para os tiranos e exploradores poderem continuar a viver?"

 Rejeitava a colaboração de classes e definia a Irlanda como o conjunto das suas classes oprimidas: "Somos por uma Irlanda para os irlandeses. Mas, quem são os irlandeses? Não o senhorio rendista possuidor de subúrbios, não o capitalista que amassa lucros, não o pulcro e abastado advogado, não o prostituído homem da imprensa -os mentirosos a soldo do inimigo-. (…) "Não são esses os irlandeses de que depende o futuro. Não são esses, mas a classe operária irlandesa, a única base sólida sobre a qual pode ser alçada uma nação livre".

Em 1903 vai para os Estados Unidos, onde se aproxima de Daniel de Leon e se filia ao Partido Trabalhista Socialista (SLP-US) e à central sindical Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW), participando na fundação da Federação Socialista Irlandesa de Nova Iorque em 1907. Volta para a Irlanda em 1910, e em Belfast colabora na organização do Partido Socialista da Irlanda, e no movimento sindical (na União Transportista Irlandesa e na União Geral de Trabalhadores, da qual foi secretário geral).

Connolly e seu exército fizeram planos para um levante armado durante a guerra, independentemente dos Voluntários Irlandeses . No início de 1916, acreditando que os Voluntários estavam hesitantes, ele tentou incitá-los a agir ameaçando enviar o seu grupo contra o Império Britânico sozinho, se necessário. Isso alarmou os membros da Irmandade Republicana Irlandesa , que já haviam se infiltrado nos Voluntários e tinham planos para uma insurreição naquele mesmo ano. A fim de convencer Connolly a desistir de qualquer ação precipitada, os líderes do IRB, incluindo Tom Clarke e Patrick Pearse , reuniram-se com Connolly para ver se um acordo poderia ser alcançado. Durante a reunião, o IRB e o ICA concordaram em atuar juntos na Páscoa daquele ano.

Durante o Levante da Páscoa , começando em 24 de abril de 1916, Connolly foi o comandante da Brigada de Dublin. Como a Brigada de Dublin teve o papel mais importante no levante, ele era de fato o comandante-chefe . A liderança de Connolly no levante da Páscoa foi considerada formidável.

Entretanto, a insurreição foi contida pelo império e Connolly foi condenado a o fuzilamento ele disse aos outros prisioneiros: "Não se preocupem. Aqueles de nós que assinaram a proclamação serão fuzilados. Mas o resto de vocês será libertado."

Connolly não foi realmente mantido na prisão, mas em uma sala (agora chamada de "Sala Connolly") nos State Apartments no Castelo de Dublin , que foi convertida em um posto de primeiros socorros para as tropas que se recuperavam da guerra .

Connolly foi condenado à morte por fuzilamento por sua participação no levante. Em 12 de maio de 1916, ele foi levado de ambulância militar para o Royal Hospital Kilmainham , do outro lado da rua da Kilmainham Gaol , e de lá levado para a prisão, onde seria executado. Enquanto Connolly ainda estava no hospital no Castelo de Dublin, durante a visita de sua esposa e filha, ele disse: "Os socialistas não vão entender por que estou aqui; eles esquecem que sou irlandês."

Connolly havia ficado tão ferido na luta (um médico já havia dito que ele não tinha mais do que um ou dois dias de vida, mas a ordem de execução ainda foi dada) que não conseguiu ficar diante do pelotão de fuzilamento; ele foi carregado para o pátio de uma prisão em uma maca. Sua absolvição e últimos ritos foram administrados por um capuchinho , padre Aloysius Travers. Solicitado a orar pelos soldados prestes a atirar nele, ele disse: "Farei uma oração por todos os homens que cumprem seu dever de acordo com suas luzes".  Em vez de ser levado para o mesmo local onde os outros haviam sido executados, no final do pátio de execução, ele foi amarrado a uma cadeira e depois baleado.

Seu corpo (junto com os dos outros líderes) foi colocado em uma vala comum sem caixão. As execuções dos líderes rebeldes irritaram profundamente a maioria da população irlandesa, a maioria da qual não demonstrou apoio durante a rebelião. Foi a execução de Connolly que causou mais polêmica. Os historiadores apontaram a forma de execução de Connolly e rebeldes semelhantes, juntamente com suas ações, como sendo fatores que causaram a conscientização pública de seus desejos e objetivos e reuniram apoio para os movimentos pelos quais eles morreram lutando.

As execuções não foram bem recebidas, mesmo em toda a Grã-Bretanha, e atraíram atenção indesejada dos Estados Unidos, que o governo britânico tentava trazer para a guerra na Europa. HH Asquith , o primeiro-ministro, ordenou que não ocorressem mais execuções; uma exceção sendo a de Roger Casement , que foi acusado de alta traição e ainda não havia sido julgado.